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FAB realiza CRUZEX III

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Entre 21 de agosto e 1° de setembro, foi realizada a Operação Cruzeiro do Sul III (Cruzex). Organizada pela Força Aérea Brasileira juntamente com as forças aéreas de Argentina, Chile, França, Uruguai e Venezuela o exercício visa aumentar o intercâmbio de conhecimentos operacionais entre os participantes. O Perú, que também participaria dos exercícios, acabou não comparecendo devido ao acidente com uma de suas aeronaves – A-37B do Grupo Aéreo 7 – que vitimou seus dois tripulantes quando decolavam de Porto Velho (RO) para Anápolis (GO) local das operações.

País Azul, Vermelho e Amarelo

Nessa edição - a primeira foi realizada em 2002 em Canoas (RS) e a segunda em 2004 em Natal (RN) - o teatro de operações se dividiu em três áreas.

Campo Grande (MS) foi a base da força aérea do país agressor - o Governo Vermelho - que após uma disputa fronteiriça com o país Amarelo, representado pelo território de Minas Gerais, decide atacá-lo. Representando a Força de Coalizão das Nações Unidas, Argentina, Brasil (país Azul), Chile, França, Uruguai e Venezuela preparam uma intervenção no conflito.

Otan como padrão

Para desempenhar o papel de força agressora, a base aérea de Campo Grande contou com seis caças F-5EM do 1°/14°GAv, de Canoas (RS); três caças A-1 do 1°/16°GAv, de Santa Cruz (RJ); um KC-130 do 1°/1°GT para reabastecimento em vôo, do Galeão (RJ) e um helicóptero SH-1H de Busca e Salvamento do 2°/10°GAv da própria base.

Por sua vez, o país Azul contava com cerca de cinquenta caças e mais três aeronaves de controle aéreo e comunicação, todas com sede na base aérea de Anápolis (GO).

Toda a estrutura de comando e controle unificado do poder aéreo utilizado, incluindo o software de planejamento de missões, seguiu os moldes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O inglês era o idioma oficial e foi usado tanto nas comunicações em vôo quanto no planejamento de missões e "briefings" - reuniões antes dos vôos.

As três fases da operação

Apesar do calendário indicar 20 de agosto como início das operações, a Cruzex iniciou suas atividades seis meses antes, com a primeira de três reuniões entre os países participantes onde todos os detalhes como escolha das unidades envolvidas foram acertados.

Na semana de 13 a 20 de agosto, ocorreu a mobilização das unidades (Fase Amarela) quando chegaram os militares e equipamentos na base aérea de Anápolis (GO) e, paralelamente, a Operação Pégasos II, um exercício simulado de guerra sem atividade aérea para testar procedimentos envolvidos na Cruzex. Entre 21 e 27 de agosto ocorreu a segunda fase, chamada de Âmbar e que consistiu no fim da mobilização, treinamento preparatório para integração dos esquadrões, ambientação com a área de exercícios e planejamento dos vôos da fase seguinte. A terceira fase, Vermelha, ocorreu na semana final quando ocorreram os combates simulados entre as forças oponentes (Livex) com duas missões diárias, uma pela manhã e outra a tarde.

Comunicação ocupa papel de destaque no exercício

Desde sua concepção, a Cruzex previa o cenário mais realista possível para a simulação de uma situação de conflito. Por isso, o poder da comunicação foi levado para primeiro plano e utilizado como ferramenta de projeção de força. Estagiários de jornalismo, publicidade, propaganda e relações públicas das das universidades Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Federal de Goiás (UFG) e Faculdade Latino-Americana (FLA) de Anápolis produziram material junto com oficiais da Força Aérea Brasileira, tanto no conflito simulado (guerra) quanto em ambiente real do exercício.

Houve ainda o "Media Day" no dia 25, data reservada para a cobertura da imprensa e o "Portões Abertos" no dia 27, quando a população de Anápolis pode visitar a base, conhecer as aeronaves usadas no execício e assistir ao final do dia a uma apresentação da Esquadrilha da Fumaça. No dia 31 foi a vez do "Vip Day" com a presença de cerca de cinquenta autoridades civis e militares dentre elas, o Ministro da Defesa Waldir Pires e o Comandante da Aeronáutica Ten Brigadeiro-do-Ar Luiz Carlos Bueno

Ao final de duas semanas de operações, forças aéreas de seis países, quase cem aeronaves envolvidas e nenhum acidente o diretor da Cruzex III, Ten Brigadeiro-do Ar William de Oliveira Barros, considerou o exercício um pleno sucesso.

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